4 de jul. de 2007

SOFRIMENTO É NADA

O garoto da foto coloca toda a força possível e inimaginável para quebrar a pedra. A cor pálida e a expressão sofrida revelam o teor de uma problemática existente, ainda, no Brasil. O adolescente trabalha na mina de esmeraldas em Carnaíba, povoado distante 45 km de Campo Formoso na Bahia. Trabalho ou escravidão? A Infância roubada em troca de míseros tostões para matar a fome (são cerca de R$40 por dia, às vezes muito menos, muito mesmo).
Uma fome insolente que não é só dele, mas de milhões de pessoas. Uma fome não só de comida: arroz, feijão, carne. É fome de esperança. Esperança essa que nasce, cresce e reproduz, como ensina a lei da natureza. Esperança que aumenta quando das profundezas do subsolo se encontra a pedra verde” e se mistura com a sede e o sonho de riqueza. Desejo mórbido sentido, adiante, atingido pela desilusão. Sempre achei a educação o melhor caminho para construção de um país justo e menos desigual.
Mas que projeção de futuro terá esse menino? A vista de um vale cercado por montanhas, penhascos cobertos por bois (Pedras inúteis. São na verdade restos das explosões), cachoeira transbordando de vida. Ah, vida!
Vida de menino é jogar bola poxa! É brincar de pega-pega, paquerar. Vida é viver sem exploração, sem dor. Trabalho infantil é crime, proibido por lei. A UNICEF define o indicador de trabalho infantil como o percentual de crianças de 5 a 14 anos envolvidos no serviço por mais de uma hora. E por muito tempo ele permanece ali. Atocha o martelo sem proteção, separa pedras, lava o material. Quijila desde pequeno. Jovem do vício costumeiro que brinca de ser gente grande, de ser alguém, sem na verdade ser ninguém.

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