27 de jul. de 2008

Minha incenssibilidade

Para que serve a insensibilidade? Para nos levar ao fundo das emoções mais secas e geladas. Não, não é o estado de espírito que fazem meus olhos fitarem o horizonte sem apreciar o nascer do sol. Não, não é o mau-humor que deixa sem sal o oceano. O lindo verde do mar, preto, como uma nuvem no céu a anunciar longa tempestade. Não, não é minha frieza a causadora da falta de graça e beleza na minha vida. Não, não é minha tristeza responsável pela frigidez no trabalho, pela monotonia no dia-a-dia, pelo afastamento das pessoas, pela fuga de mim mesma.

Prefiro crer em Vinícius de Moraes quando diz: “Que a tristeza é a melhor coisa que existe”. Mas nem Vinícius, o maior de todos os homens sensíveis do planeta consegue mais provocar arrepios com Chega de Saudade, nem acelerar os batimentos cardíacos quando escuto seu clássico, Felicidade. Talvez, por que de manhã escureço, de dia tardo, de tarde anoiteço, de noite ardo. Numa sensação efêmera de fim sem volta. É o amor, simplesmente, o amor em excesso ou a falta dele que faz perder a sensibilidade. Olhar tudo ao redor e ignorar a magia. Desprezar o ser humano sem o mínimo de lampejo. O que sou Eu. Um moribundo à beira da estrada. Vendo o vulto daqueles que passam naquela espera do bem outrora. O dia já se foi milhões e milhões de vezes. Mas eu sei: hei de capturar o sentimento sublime. Para ser igual a Vinícius, eterno enquanto dure!